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Trump “livre de medicação”. Fauci diz que alegações sobre alegada “cura” causam confusão

Donald Trump garante que está de boa saúde devido ao tratamento experimental que recebeu quando estava internado no hospital. Numa entrevista esta sexta-feira à Fox News, o Presidente dos Estados Unidos da América revelou que a Covid-19 o deixou-o sem forças.

“Não me sentia com forças. Não tive problemas respiratórios que muitas pessoas têm, não tive nada disso. Ainda assim, não me sentia com força, não me sentia como Presidente dos Estados Unidos da América se deve sentir. Os médicos do hospital foram incríveis, vieram de todo o lado. Acho que é bom ser Presidente”, adiantou.

Apesar de continuar em observação, Donald Trump garante que já não está a tomar qualquer medicação para a doença: “Vou estar em observação até que os médicos me dispensem. Já fiz vários testes e, neste momento, estou livre de medicação, não estou a tomar nenhuma medicação, provavelmente há oito horas.”

Esta foi a primeira entrevista de Donald Trump em frente às câmaras depois de testar positivo para a Covid-19.

Fauci diz que alegações de Trump sobre alegada “cura” causam confusão

As palavras do presidente norte-americano a congratular-se por superar a covid-19, graças a um tratamento experimental que o próprio descreveu como “cura”, podem provocar “muita confusão”, considerou este sábado o especialista em coronavírus Anthony Fauci.

“Depende muito do que queres dizer com remédio, pois essa palavra causa muita confusão”, disse o diretor do Instituto Americano de Doenças Contagiosas aos microfones da CBS Radio, que numa fase inicial fazia os briefings da Casa Branca sobre a evolução da pandemia.

O médico explicou que existem “bons tratamentos para pessoas hospitalizadas com doenças severas” e enumerou diferentes fármacos já testados em milhares de pacientes, tais como o antiviral remdesivir e o corticoide dexametasona, que foram prescritos ao presidente norte-americano, mas mostrou reservas em relação a tratamentos com anticorpos sintéticos como o desenvolvido pelo laboratório Regeneron e largamente elogiado por Donald Trump.

“Têm resultados prometedores nos ensaios clínicos, mas a sua eficácia geral e segurança ainda não foram provadas”, justificou Anthony Fauci.

O internacionalmente respeitado cientista falou também de uma cerimónia que decorreu na Casa Branca, em 26 de setembro, um evento descrito como “altamente propagador” da doença e suspeito de estar na origem da infeção de vários convidados com covid-19.

Questionado sobre a eficácia das máscaras, depois de vários convidados terem testado positivo para o novo coronavírus, Fauci respondeu que “os dados falam por si”.

“Tivemos um evento altamente propagador na Casa Branca, onde as pessoas estavam próximas umas das outras e não usaram máscara”, apontou.

Mais de 30 pessoas são suspeitas de terem sido infetadas durante a cerimónia organizada para a nomeação da candidata de Donald Trump para o Supremo Tribunal dos EUA, Amy Coney Barrett.

O presidente norte-americano afirmou esta semana que contrair a covid-19 foi “uma bênção de Deus” e prometeu aprovar “com urgência” e disponibilizar gratuitamente o coquetel experimental de anticorpos sintéticos da Regeneron com que foi tratado e que apelidou de “cura”.

A declaração de Trump foi feita um dia depois de a Agência do Medicamento dos Estados Unidos (FDA) estabelecer critérios de aprovação de uma futura vacina contra a covid-19, que tornam improvável a sua autorização antes das eleições presidenciais em 03 de novembro.

Já este sábado, um funcionário do governo de Trump, responsável pela resposta à pandemia no país, disse que os EUA podem esperar a distribuição de uma vacina a partir de janeiro de 2021, numa altura em que um coro bipartidário de legisladores, especialistas e funcionários de saúde pública afirmam que o país está mal preparado para o previsível aumento de casos de covid-19 durante o inverno.

Numa mensagem de email, o secretário assistente de preparação e resposta do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, Robert Kadlec, afirmou que o governo “está a acelerar a produção de vacinas seguras e eficazes para garantir a entrega a partir de janeiro de 2021”.

Os Estados Unidos são o país com mais mortos (212.789) e também com mais casos de infeção confirmados (mais de 7,6 milhões).

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