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Wagner Moura comenta repercussão de Paraíso tropical e se surpreende com fake news associadas a Marighella: Fiquei quase lisonjeado

Wagner Moura voltará a morar no Brasil, após temporada nos Estados Unidos para rodar filmes  (Foto: John MacDougall/AFP)Wagner Moura voltará a morar no Brasil, após temporada nos Estados Unidos para rodar filmes (Foto: John MacDougall/AFP)

 

Wagner Moura estava em estado de graça e celebração na pré-estreia de “Marighella” no Rio de Janeiro, esta semana. Diretor do longa-metragem, o baiano residente de Los Angeles, nos Estados Unidos, emocionou-se ao encontrar pessoalmente amigos que não via há anos e admitiu nervosimo ao constatar que companheiros de décadas e estrelas como Adriana Esteves assistiriam à produção pela primeira vez. Ele ainda deixou a voz embargar ao fitar o elenco enfileirado para apresentar o filme. 

Protagonizado por Seu Jorge, o longa conta a história de Carlos Marighella, um dos organizadores da luta armada contra a ditadura militar. O político, escritor e guerrilheiro chegou a ser considerado o “número 1” do grupo que agia contra o regime instituído no país nos anos 1960 e 70. No roteiro que assina com Felipe Bragança, Moura pode fazer com que espectadores associem a narrativa ao que se vive hoje no país.

— Não é proposital. O que acontece é que o que a gente vive hoje, apesar de não ser uma ditadura, é um governo que tem saudade daquela época, que acha que aquela fase foi boa; um governo que tem como herói um torturador. Então, talvez o que está acontecendo hoje e o que aconteceu naquela época tenham conexão independentemente do filme, infelizmente — opina o diretor de 45 anos.

Em 2021, o filme foi pirateado e fake news foram espalhadas. Wagner Moura se impressiona ao relatar ter ouvido que elas divulgavam um bilhete, atribuído a ele, que aconselharia o público a consumir o produto ilegalmente compartilhado.

— Eu fiquei quase lisonjeado pelo interesse do público pelo pirata (risos), mas ao mesmo tempo essa demanda que eu falei, da coisa meio proibida e “tararã”… Tanto que o pirata saiu este ano, com uma “nota minha” dizendo que eu queria que as pessoas vissem o filme ali. E isso é uma mentira (risos). Eu nunca ia botar o filme na rede. O filme nem meu é. Mas a gente conseguiu abafar essa pirataria, com a Paris Filmes. Eles usaram a tecnologia para tirar os links falsos, mas muita gente terminou vendo. E ok.

Na história, a única participação do diretor é sonora: ele empresta a voz a uma autoridade policial que confirma com um torturador (papel de Bruno Gagliasso) as causas da morte de Marighella. Moura explica a motivação de ter optado por contar essa história em sua estreia como diretor:

— Eu quis devolver. Sempre tive muita angústia com apagamentos históricos. A História do Brasil é contada sempre pelo dominador, pelo poder. Sobretudo as de revolta popular, dos que vêm de baixo, que são revoltas contra esses poderosos. Elas são contadas pelas pessoas contra as quais os pobres lutaram. É inevitável que essas narrativas sejam no mínimo parciais. Então, eu quis devolver. Minha inquietação inicial era devolver ao imaginário popular a figura de um cara por quem tenho admiração e que as pessoas não conhecem. Se conhecem, conhecem por uma história mal contada.

 

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Na televisão, o ator está no ar como o empresário Olavo na reprise de “Paraíso tropical”, no Viva. O folhetim assinado por Gilberto Braga, que morreu na última terça-feira (26), desperta saudade no intérprete:

— Fui muito feliz fazendo aquela novela, orgulhoso de ter entrado para esse time seleto de vilão de Gilberto Braga e lamento muito a morte dele. É um dos grandes escritores de novela da História do Brasil. Ele fez a que é, para mim, uma das melhores novelas brasileiras de todos os tempos, “Vale Tudo“. Era um cara muito interessante. Eu convivi pouco com ele, mas em todas as vezes que estive com ele me diverti muito. Porque ele era uma figura que falava bem devagar, mas falava barbaridades. Era contrastante.

Recentemente, Camila Pitanga reproduziu uma das cenas divertidas da novela, em que sua personagem provoca Olavo. Nas redes sociais, internautas e famosos vibraram com a química deles:

— Camila é uma grande amiga. E eu me divirto muito ouvindo ou lendo o que as pessoas escrevem. Nas gravações, a gente se divertia muito fazendo.

Wagner Moura é diretor e um dos roteiristas do filme 'Marighella' (Foto: Sandra Delgado)Wagner Moura é diretor e um dos roteiristas do filme ‘Marighella’ (Foto: Sandra Delgado)

 

Camila Pitanga e Wagner Moura como Bebel e Olavo, em 'Paraíso tropical', de 2007 (Foto: Divulgação/TV Globo)Camila Pitanga e Wagner Moura como Bebel e Olavo, em ‘Paraíso tropical’, de 2007 (Foto: Divulgação/TV Globo)

 

Seu Jorge, protagonista de 'Marighella', é dirigido por Wagner Moura (Foto: Divulgação)Seu Jorge, protagonista de ‘Marighella’, é dirigido por Wagner Moura (Foto: Divulgação)

 

 

 

Veja como está, atualmente, o elenco de “Paraíso tropical”, no ar no Viva:

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